Vinicius Resplandes Mesquita

A presente dissertação investiga o mercado de trabalho brasileiro, com o objetivo central de analisar o impacto da realocação setorial sobre a informalidade no período de 2016 a 2024. O estudo foca na contribuição recente do setor industrial (especialmente a indústria de transformação) para a economia e busca estabelecer a relação com o aumento da informalidade, identificando as ocupações e setores mais vulneráveis. Assim, o trabalho visa aprofundar a compreensão da dinâmica do emprego e subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade do trabalho e da renda. A pesquisa utiliza os microdados da PNAD Contínua para o período de 2016 (1º trimestre) a 2024 (2º trimestre), abrangendo todo o território nacional. A definição de trabalho informal segue o conceito do IBGE, incluindo empregados sem carteira (privado e doméstico), empregadores e trabalhadores por conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares. A análise setorial foca na Indústria, Agropecuária, Serviços e Comércio. Metodologicamente, o estudo emprega a decomposição de Ramos (2002) para quantificar o impacto da mudança na estrutura setorial do emprego sobre o crescimento da informalidade. Entre 2016 e 2020, a participação da agropecuária e da indústria no emprego total diminuiu, enquanto comércio e serviços cresceram. Nesse período, a informalidade aumentou de 38,2% para 40,1%, embora as mudanças na estrutura setorial tenham atenuado esse avanço. Já entre 2021 e 2024, observou-se o movimento inverso: a informalidade caiu de 42,1% para 40,2%, impulsionada pela recuperação econômica, pela queda do desemprego e pela realocação de trabalhadores entre setores. Portanto, o aumento da informalidade no primeiro período está ligado à crise econômica de meados da década de 2010 e à reforma trabalhista de 2017, enquanto sua redução posterior reflete a retomada do emprego formal pós pandemia COVID-19.