Apresentação

Sobre o porquê da criação do PROGRAMA NÚCLEO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES AFRO-BRASILEIROS – NEIAB

A diversidade cultural e racial brasileira, e em especial no estado do Paraná, impõe à universidade o desafio de aprofundar o debate sobre as relações raciais com o rigor e a abrangência que o tema merece. Foi com esse propósito que professores do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá se organizaram para criar o Programa Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-Brasileiros (NEIAB/UEM), um espaço acadêmico voltado à produção científica, ao debate qualificado e à formação de pesquisadores interessados nas múltiplas dimensões da experiência afro-brasileira.

O estudo das relações raciais integra a tradição das Ciências Sociais no Brasil, com contribuições fundamentais de autores como Florestan Fernandes, Roger Bastide, Nina Rodrigues, Fernando Henrique Cardoso, Carlos Hasenbalg e Kabengele Munanga, entre outros. Trata-se de uma temática que gera monografias, dissertações e teses nas mais diferentes áreas do conhecimento, em particular nas ciências humanas, e que merece um espaço próprio de reflexão contínua e aprofundada dentro da universidade.

O curso de Ciências Sociais é um lugar privilegiado para as discussões que envolvem os grupos sociais e suas relações, abrangendo temas como política, religião, trabalho, família, educação e relações raciais. Com a criação do NEIAB, os alunos que apresentam interesse maior nessa última temática passam a contar com um lócus acadêmico específico, onde podem desenvolver pesquisas orientadas pelos professores participantes do grupo e contribuir para uma produção científica cada vez mais qualificada.

Embora as Ciências Sociais ofereçam uma base sólida para o debate sobre relações raciais, o tema também é objeto de reflexão em outras áreas, como História, Geografia, Artes, Música, Educação Física, Economia, Direito e Comunicação. Por isso, o NEIAB é concebido com ênfase no caráter interdisciplinar, promovendo o diálogo entre professores, pesquisadores e profissionais de diferentes formações, além de membros da comunidade não acadêmica interessados na produção científica sobre a população afro-brasileira.


Por que NEIAB?

O NEIAB/UEM integra uma rede nacionalmente articulada de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (NEABs), presente em mais de vinte universidades federais e estaduais brasileiras, cujas siglas se assemelham (NEAB, NEIAB, NEINB), como é o caso da USP, UFMG, UERJ, UnB, UFG, UFPI, UFSCar, UFPR, UDESC e outras. Esses núcleos desenvolvem pesquisas científicas sobre a temática racial e constroem conjuntos de propostas de ações afirmativas que visam integrar de fato a população negra à sociedade brasileira, em vários campos, inclusive no espaço universitário.

Essas propostas foram apresentadas formalmente no I Fórum "Diversidade na Universidade", realizado em Brasília em 2002, e posteriormente encaminhadas ao governo federal, que passou a implementar parte delas. Fazer parte dessa rede significa, portanto, estar conectado a um movimento mais amplo de produção de conhecimento e de transformação social, comprometido com a igualdade racial no Brasil.

 

Formação do NEIAB

A criação do NEIAB foi possível graças a uma base sólida construída ao longo dos anos no Departamento de Ciências Sociais. Foram realizados eventos, palestras e um curso de especialização que produziu diversas monografias sobre diferentes aspectos da questão racial. O Departamento conta com professores que pesquisam a temática de forma sistemática, tendo um deles defendido tese de doutorado sobre quilombos. Com a criação e expansão do curso de graduação, essa produção cresceu significativamente em quantidade e qualidade, tornando o momento propício para a formalização do Programa.

O NEIAB reúne docentes e discentes de áreas como Economia, Educação Física, Física e Música, além de pesquisadores vinculados a outras instituições e membros da comunidade externa. Essa composição plural confere ao Programa um caráter verdadeiramente interdisciplinar e amplo, capaz de refletir sobre as mais diversas dimensões da experiência afro-brasileira e de aglutinar interesses que vão além do acadêmico, incluindo um posicionamento ativo em favor da implementação de ações afirmativas voltadas para a população negra na sociedade brasileira.

A formalização do Programa encontrou amplo apoio nos diferentes segmentos da Universidade: foi aprovada unanimemente pelo Departamento de Ciências Sociais e recebeu estímulo e suporte das Pró-reitorias e da Reitoria. O NEIAB conta ainda com o apoio das organizações estudantis e dos movimentos sociais organizados ligados à temática, o que reforça seu compromisso com uma universidade mais diversa, plural e comprometida com a justiça social.

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