Sobre o CROPPED
Este projeto de ensino está vinculado ao projeto de pesquisa intitulado “Há corpos por toda parte: as pedagogias culturais na vida das mulheres" e está ancorado nas premissas dos Estudos Culturais (EC), que “[...] constituem uma ressignificação e/ou uma forma de abordagem do campo pedagógico em que questões como cultura, identidade, discurso e representação passam a ocupar, de forma articulada, o primeiro plano da cena pedagógica” (Costa, Silveira, Sommer, 2003, p.52). A proposta tem origem a partir da demanda de estudantes, que notaram, empiricamente, por meio do estágio supervisionado e das experiências nas disciplinas obrigatórias, a relevância de dialogar e produzir saberes sobre os corpos na educação, sobre saúde da mulher e sobre o trabalho com preconceitos,
estereótipos e emoções, que também são processadas de modo generificado. “Por exemplo, “[a] raiva é socialmente aceita no caso dos homens porque é vista como elemento natural da condição masculina e pouco tolerada nas mulheres [...]” (Castañeda, 2006, p. 146). A público-alvo deste projeto é o alunado do ensino superior da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Campus Regional de Cianorte (CRC), do Departamento de Pedagogia (DPD). A premissa do projeto está ancorada na manutenção da qualidade do processo de ensino e aprendizagem dos/as discentes do curso de pedagogia. Deste modo, as atividades são educativas e preventivas sobre assuntos como higiene, abusos e demais violências, diversidade sexual e de gênero, domesticação das emoções e dos corpos pela escola, pela mídia e pela sociedade. Este projeto se configura como ensino porque opera na divulgação dos saberes científicos levando em conta as realidades político-culturais e socioeconômicas dos/as estudantes. Neste sentido, entendemos os corpos como elementos centrais das nossas elucubrações, porque são os responsáveis por carregar e visibilizar as marcas da cultura, fomentando ou questionando as relações de poder. O campo da pedagogia é fértil para discutir corpo, pois, desde a tenra idade, colabora com a orientação de modos específicos de ser, estar e existir no mundo, ao passo que as mídias, as famílias, os hospitais, as empresas privadas, as escolas, os esportes são pedagógicos ao repetirem padrões, os quais
perpassam os sujeitos podendo colonizá-los (Louro, 2000; Vergès, 2020, Accorsi, Maio, 2019). Como ensina Sabat (2005, p. 93), “[e]star no mundo é estar produzindo cultura e estar sendo produzida por ela”. Discutir cultura é compreendê-la como arena de luta por significados, em que são consideradas as relações de poder e opressão.
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